Empresta-me o teu peito, caro leitor.
Já não sei se quero dividir esse sufoco e me dar de graça nessas linhas, mas preciso desocupar o peito pra me sentir um pouco menos doído do que de costume.
Leia as minhas entrelinhas, os meus afetos explícitos, o meu medo rascunhado em caneta invisível, a minha poesia, me leia um pouco. Dobre o seu tempo e me retira de mim por um tempo pra eu poder abrir o peito de verdade. Porque eu já não consigo aceitar qualquer coisa, eu já não consigo ouvir qualquer coisa.
Tudo é dor dentro dessa minha felicidade inventada. Tudo é torto nesse meu caminho certo.
Escuta os meus gritos sem som. Veja que as minhas aspas mentem. Veja o meu dissabor. Veja que eu sou dor latente no meio dessa ilusão de ótica sobre carinho e amor.
Estupra-me a falta de coragem, corrobora essa minha vírgula que vem compassada pr’eu não sair inteiro, me sente aí e me deixa te sentir cá. Quero ser outro, além disso, que sou.
Porque tudo é acaso, meu Deus. Porque eu no meio dessa gente toda sou só mais um e eu dentro de mim sou um universo todo precisando ser descoberto.
Devolve-me pra mim você que já andou tantas vezes na minha via láctea.
Que eu já não quero nada além desse eu que vem vez em quando cheio de sussurros e sopros pra me dizer que tenho um dom, que eu tenho de escrever sempre. Essa obrigação não me cabe e que me desculpem por abrir esse alarde, mas meu peito a qualquer momento pode não ter dor nenhuma pra secar.
E eu me termino pra te escrever de novo. Sobre mim, você, o outro. A gente se lê por aí...
(Autor Desconhecido)
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